terça-feira, 29 de setembro de 2009

Forças Armadas

Foi ontem publicado, em Diário da República, o decreto-lei que rege a redução de 1.330 efectivos militares das Forças Armadas cá do burgo até 2013, no âmbito da reorganização da estrutura da defesa do nosso pacato país.

Contas feitas, segundo um matutino diário, o diploma aponta para um universo de setenta e oito oficiais generais, 5.146 oficiais superiores, 9.300 sargentos e quatro mil e vinte praças dos três ramos das Forças Armadas.

Ou seja, pela primeira vez na história das prestigiadíssimas instituições militares, passam a existir mais oficiais do que simples soldados e marujos, sendo, também, de salientar que a Marinha passa a ser o ramo com mais efectivos, tirando o, desde sempre, primeiro lugar ao Exército.

Uma vez que não têm subordinados, em quantidade, a quem darem ordens, só me pergunto para quê tantos oficiais para não fazerem a ponta dum pénis, a não ser sugar dos impostos que todos pagamos e gritar um pouco mais com os mancebos por altura dos parcos meses de recruta.

Sistema Nacional de Saúde

O Sr. Sócrates já se auto elogiou, por várias vezes, pelo sistema de saúde cá do burgo que chega ao ponto de ser um modelo a seguir pelos Estados Unidos de tão bom que é.

Talvez não seja má ideia o Sr. Obama ler, com atenção, as notícias deste lado do Atlântico porque, na realidade, a coisa parece não ser bem assim.

Afinal de contas, estudos recentes mostram que o sistema de saúde nacional está entre os piores da Europa, mais concretamente em vigésimo quinto lugar entre trinta e três países.

As razões, às quais já fiz alusão por diversas vezes, são sempre as mesmas: tempos de espera muito elevados, falta de rápido acesso a um médico de família, falta de informação, acesso a medicamentos e outras tretas afins.

Afinal, os verdadeiros resultados aparecem quando os estudos provêm de entidades externas e independentes.

Fórmula Um 2009 - XIV

GRANDE PRÉMIO DE SINGAPURA

27 de Setembro de 2009

2009 FORMULA 1 SINGTEL SINGAPORE GRAND PRIX



Circuito de Singapura - 5 quilómetros e 067 metros
Recorde de Melhor Volta - Kimi Räikkönen, em 2008, com o tempo de 1:45.599

Resultados

1º - Lewis Hamilton
2º - Timo Glock
3º - Fernando Alonso
4º - Sebastian Vettel
5º - Jenson Button
6º - Rubens Barrichello
7º - Heikki Kovalainen
8º - Robert Kubica

Melhor volta - F Alonso, com o tempo de 1:48.240

Campeonato Pilotos

1º - Jenson Button - 84 pontos
2º - Rubens Barrichello- 69 pontos
3º - Sebastian Vettel- 59 pontos

Campeonato Construtores

1º - Brawn - Mercedes - 153 pontos
2º - RBR - Renault - 110,5 pontos
3º - Ferrari - 62 pontos

O pódio diz tudo.

O GP de Singapura só não baralha as contas do campeonato, como aconteceu em 2008, porque a distância pontual dos primeiros para o resto dos pilotos é muito grande.

Em todo o caso, fica a chamada de atenção para a fraca prestação da Ferrari que, com o 10º e 13º lugares, falhou na recuperação que vinha a realizar.

Próximo Grande Prémio a 04 de Outubro no Japão.

Mais informações aqui.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Legislativas 2009

Como já vem sendo hábito, a abstenção venceu por larga margem e, desta feita, foram mais de três milhões, seiscentos e setenta e oito mil os cidadãos que mostraram estar-se nas tintas para a política ou que consideram os políticos todos iguais.

Dos partidos mais pequenos nem sinal de vida, a não ser o assumir duma imensa derrota manifestado pelo líder do MMS, Eduardo Correia, falhado o objectivo de eleger um deputado para a Assembleia da República.

Quanto aos cinco maiores, e avaliando os discursos dos respectivos líderes, todos ganharam, à excepção do PSD.

Por parte do Partido Socialista, o senhor Sócrates considerou que o PS teve uma extraordinária vitória eleitoral.

O homem perdeu votos e a maioria absoluta mas obteve uma extraordinária vitória…

Depois de tanta merda, tanta arrogância e tanta teimosia, resta saber se o senhor Sócrates vai tentar governar sozinho, ou se vai tentar enveredar por alguma coligação, e quanto tempo é que se vai aguentar à frente dos destinos cá do burgo.

O PSD foi o único a assumir a derrota, ainda que, subtilmente, quer Ferreirta Leite quer outros dirigentes do partido tenham tentado minimizar a questão com a história de que ganharam nas europeias, perderam agora e vão ganhar nas autárquicas… A tal coisa do ciclo de três eleições.

Esqueceram-se foi de relembrar a populaça de que estas eleições foram para escolher o primeiro-ministro de Portugal e os digníssimos representantes que vão aquecer as digníssimas cadeiras do hemiciclo, sendo, por conseguinte, de vital importância para o futuro do país.

Em todo o caso, Ferreira Leite até foi coerente ao afirmar que não foram os resultados esperados e que assumia a responsabilidade, o que terá deixado bem contentes algumas figuras relevantes do partido que consideram que a senhora não tem perfil, nem condições, nem categoria para ser líder dos laranjas ou, muito menos, primeira-ministra.

Outro vencedor foi o Bloco de Esquerda, já que, segundo Francisco Louça, o partido passa a estar no Parlamento com deputados eleitos por muitos distritos onde a esquerda não estava representada.

Vitórias que mudam a política do país, uma vez que levaram à obtenção dos principais objectivos do BE, a saber, acabar com a arrogância e absolutismos de Sócrates.

Bem… Presunção e arrogância é coisa que não falta ao Sr. Louçã se pensa que foi à custa do seu partido que o PS perdeu a maioria absoluta, porque basta ter dois dedos de testa para perceber que os votos perdidos pelo PS não foram direitinhos para o BE.

O camarada Jerónimo pautou pela mesma bitola e, mesmo quando viu a CDU descer para o quinto lugar no ranking dos mais votados, não se privou de chamar a si a vitória.

Mais… Quando lhe perguntaram se a CDU saía fragilizada deste sufrágio, o camarada zangou-se e realçou que uma CDU que recebeu mais votos significa uma CDU que cresceu (imagine-se), uma CDU que avançou (sim, senhor, avançou para o quinto lugar).

Não sei se será, realmente, verdade, mas consta que o camarada se emocionou quando soube que o partido tinha eleito mais um deputado em Setúbal, considerando tal facto como um grande êxito.

Outro vencedor, este sim, de acordo com muita populaça e muitos analistas políticos, o verdadeiro vencedor nestas legislativas, foi o CDS, cujo líder, Paulo Portas, viu o seu trabalho, dedicação e esforço recompensados ao obter o terceiro lugar e atingir o tal marco dos dois dígitos.

O CDS cresceu, conseguiu o melhor resultado dos últimos vinte e seis anos, conseguiu eleger deputados por círculos eleitorais onde nunca o tinha feito e cumpriu com os diversos objectivos a que Portas se tinha proposto.

Nas palavras do líder do CDS, que reafirmou o propósito de ser a melhor oposição contra o governo socialista, o partido passou a disputar outro campeonato.

Esperemos que assim se mantenha.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O meu voto

Não faço parte do grupo dos indecisos, não senhor, nem, tão-pouco, daqueles que vão votar em branco.

O meu voto está decidido, já de há muito a esta parte.

No entanto, hoje tive um acesso de dúvidas existenciais quando, ao dirigir-me para o meu local de trabalho, recebi, e aceitei, o programa eleitoral do Movimento Mérito e Sociedade, mais conhecido pelo MMS.

Dizem estes senhores que, no que toca à Justiça, defendem a castração química para quem comete crimes de violação e pedofilia, coisa que sempre defendi, ainda que essa coisa da química não me agrade muito e que preferisse uma castração lenta e dolorosa, tipo com a faca de cozinha e o dito cujo do criminoso cortado às rodelas bem fininhas.

Ainda no que respeita à Justiça, defendem o aumento das penas máximas e o fim da limitação dos vinte e cinco anos de prisão, o que sempre defendi, especialmente quando se trata de crimes contra a integridade de gente inocente.

Saúde pública gratuita e universal, algo que soa a utopia mas agradável de ouvir.

Quando falam do Sistema Fiscal cá do burgo, os responsáveis deste partido falam da dedução da totalidade das despesas médicas e das despesas de educação, da redução da taxa de IVA para 15% e de eliminar aquela estupidez da dupla tributação aplicada aos automóveis, ou seja, tudo medidas que agradariam, sobremaneira, ao Vosso interlocutor e a tanta gente que, como eu, gostaria de ver os parcos rendimentos darem para mais do que, muitas vezes, ter que sobreviver até ao fim do mês.

O meu voto está decidido mas gostava que o partido em que vou votar defendesse, também, estas medidas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Patrick Swayze (1952 - 2009)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Fórmula Um 2009 - XIII

GRANDE PRÉMIO DE ITÁLIA

13 de Setembro de 2009

FORMULA 1 GRAN PREMIO SANTANDER D'ITALIA 2009


Circuito de Monza - 5 quilómetros e 793 metros
Recorde de Melhor Volta - R Barrichello, em 2004, com o tempo de 1:21.046

Resultados

1º - Rubens Barrichello
2º - Jenson Button
3º - Kimi Räikkönen
4º - Adrian Sutil
5º - Fernando Alonso
6º - Heikki Kovalainen
7º - Nick Heidfeld
8º - Sebastian Vettel

Melhor volta - Adrian Sutil, com o tempo de 1:24.739

Campeonato Pilotos

1º - Jenson Button - 80 pontos
2º - Rubens Barrichello - 66 pontos
3º - Sebastian Vettel- 54 pontos

Campeonato Construtores

1º - Brawn - Mercedes - 146 pontos
2º - RBR - Renault - 105,5 pontos
3º - Ferrari - 62 pontos

Na quarta dobradinha do ano para a Brawn, Barrichello impôs-se a Button e reduziu, desta forma, a diferença que os separa no campeonato de pilotos.

Nada de muito novo no resto da classificação, uma vez que este campeonato tem sido repleto de situações inéditas e inesperadas.

Nada de muito novo porque a surpresa veio de Adrian Sutil, que conseguiu levar o seu Force-India ao quarto lugar, o que leva a equipa a pontuar pela segunda vez consecutiva, à frente de pilotos, bem mais habituados a estas andanças, como Alonso ou Vettel.

Próximo Grande Prémio a 27 de Setembro em Singapura.

Mais informações aqui.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

43 anos a dormirem juntos

É verdade, sim senhor… Os meus pais dormem juntos há, pelo menos, quarenta e três anos e são, a par com muitos outros casais espalhados por este mundo fora, a prova cabal que o estudo científico, mencionado num dos jornais diários cá do burgo, é uma balela de primeira categoria.

Diz o estudo que partilhar a mesma cama com o cônjuge faz mal à saúde e que os problemas físicos e psíquicos duplicam para os casais que dormem juntos.

Existem, realmente, alguns problemas físicos, uma vez que já não são, propriamente, uns jovens e os bicos de papagaio, juntamente com umas dores nos costados, começam a aparecer com alguma frequência.

O tal do estudo diz que o ressonar do cônjuge origina queixas e pode ser motivo de divórcio.

Ora, retomando o exemplo do casal que me trouxe a este mundo de loucos, lembro-me de ouvir o ressonar do meu progenitor, estando eu noutro quarto, de porta fechada e uns metros de distância.

Mais… A determinada altura, a minha mãe tinha que aguentar com o ressonar do meu pai e do cachorro que se aninhava aos pés da cama deles.

Nada disso deu, no entanto, origem a processos litigiosos ou a cenas de gritaria, stress e histerismo.

Nada disso deu origem a noites excessivamente mal dormidas que, segundo a porra do estudo, motivam acidentes rodoviários por falta de concentração e cansaço.

Quanto ao puxa daqui e puxa dali dos lençóis e cobertores, aí já posso falar por experiência própria e tudo passa por uma questão de encontrar um ponto de equilíbrio, algo extremamente fácil se estivermos na presença de dois seres humanos com mentalidades e maneiras de ser normais.

Não me venham cá dizer que a partilha dos cobertores pode dar azo a divórcios, porque, em última análise, os interessados podem comprar uns edredons bem mais largos do que a cama que, garantidamente, a coisa chega para os dois e ainda sobra.

Diz o estudo que os casais devem dormir em camas separadas ou, mesmo, em quartos separados, o que é, claramente, um “lobby” montado por empresas fabricantes de camas e por agências imobiliárias.

Claro que, no caso de quartos diferentes, coloca-se, ainda, a questão da comunicação, facilmente contornável recorrendo, por exemplo, aos intercomunicadores usados para vigiar os bebés.

- “Alô, querida? Estás à escuta? Câmbio.”
- “À escuta, meu amor! Transmite. Câmbio.”
- “Favor levantar e dirigir-se à minha habitação. E rapidamente, enquanto o treco-lareco está para cima. Câmbio e termino.”

E onde é que fica a essência amorosa da questão? Será que isso não irá causar mais problemas ao casal do que a porra do ressonar ou da partilha dos cobertores?

Inspecções automóveis

A partir da próxima segunda-feira, e segundo uma portaria – ou melhor dizendo, uma porcaria – publicada no Diário da República, as inspecções automóveis vão ficar mais caras.

O governo do Sr. Sócrates justifica a medida com a actualização dos preços das tarifas de inspecção e mais duas ou três merdices e é realizado com base na taxa de inflação prevista para este ano.

Mais uma para fecundar os automobilistas cá do burgo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pais e filhos

A mais pura das verdades é que há, por esse mundo fora, pais que não o deviam ser, por autênticas bestas que são, e outros que não o deviam ser por serem relativamente bestas ou, mais simplesmente, porque, digo eu, não devem gostar dos filhos que têm.

Ainda que gostos não se discutam, há, por exemplo, nomes que qualquer mãe ou pai, no seu perfeito juízo e gozando das suas capacidades em pleno, nunca dariam a um filho.

Há alguns dias atrás, ouvi uma mãe a chamar pela filha e, ainda que já não me lembre do nome da cria, lembro-me de levar as mãos à cabeça e pensar que a pobre da criança corre sérios riscos de ter uma vida infeliz.

Primeiro, vai ser gozada, até à exaustão, pelos colegas da escola, seja lá com que idade for, porque a criançada não perdoa estas coisas e um nome tipo Virgulina, Eustácia, Fabrizinha ou Pandora, não passa despercebido e é logo motivo de chalaça.

Segundo, porque qualquer gajo, com um mínimo de bom gosto, quando souber o nome da miúda – engraçadita, por sinal – que está ali a fazer-lhe olhinhos, bate, imediatamente, em retirada, com receio de ter que lhe dar o seu apelido, caso venham a casar.

Outro exemplo, que, sinceramente, nunca tinha visto, é o caso dos pais que tratam os filhos como cachorros.

Explico… Hoje de manhã, a caminho do trabalho, deparei-me com uma mãe que levava as duas crianças amarradas por uma trela, tipo quem andava a passear os dois cães que estavam à rasca para fazer uma mijinha.

Nada de amarrações aos pescoços das pequenas criaturas, não, mas, de qualquer maneira, indignou-me ver os miúdos a serem puxados por um pedaço de trela amarrada a um dos pulsos.

Crianças demasiadamente endiabradas para poderem passear um pouco mais à vontade com os pais?

Duvido, porquanto iam muito sossegados, talvez por já estarem habituados ao efeito da trela.

Estupidez, cretinice e uma enorme falta de paciência dos paizinhos para acompanhar as crianças no seu processo de conhecimento e exploração do mundo que os rodeia?

Parece-me, esta, uma razão mais plausível.

Pena que as crianças não tenham a força dum pitbull, de modo a, sem qualquer tipo de aviso, darem um violento puxão no braço da mãezinha que a levasse a bater com a cornadura num qualquer poste de iluminação.

Nota – Também publicado no Traquina e Irrequieta