terça-feira, 8 de agosto de 2006

Desculpas esfarrapadas

Segundo um estudo do Instituto da Inteligência, oito em cada 10 alunos com insucesso escolar dizem que têm dificuldade em acompanhar os raciocínios e os métodos de ensino dos professores, preferindo memorizar, em vez de analisar e absorver, com sapiência, a matéria dada.

Em jeito de conclusão, quase 90% dos alunos, com idades entre os 8 e os 14 anos, afirmam que se sentem completamente perdidos, no que toca a modos de aprendizagem, e que ninguém lhes ensina nada.

Os petizes vão mais longe, e apontam como causas a dificuldade que têm para descodificar o discurso dos professores, a ausência de métodos de estudo e a dificuldade que têm para gerir os tempos de estudo que necessitam para cada disciplina.

Ainda que reconhecendo a legitimidade do tal instituto e dos pesquisadores, aqui o Johnnyzito não está nada de acordo com essas balelas.

Que tal deixarem-se de queixumes e assumirem que esta geração passa mais tempo do que seria aconselhável no Messenger, em conversas estúpidas, e sem nexo, com gente que nem conhecem?

Que tal assumirem que estas crianças passam mais tempo do que deviam agarrados à PlayStation ou em frente à televisão a devorar porcaria, tipo “Morangos com Açúcar” ou a já famosa “Floribella”?

Que tal assumirem que são os pais que, frequentemente, têm a sua quota-parte de culpa ao deixarem crianças de 12 e 13 anos frequentarem bares e discotecas com a mesma frequência que outras gerações quando tinham 19 e 20 anos?

Deixem-se de “cenas, bués e butes lá” e eduquem esta geração como deve de ser!

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

O verdadeiro atleta nacional

Francis Obiorah Obikwelu já está qualificado para as meias-finais dos 100 metros, no Europeu de Atletismo que se realiza, por estes dias, em Gotemburgo.

Mais um feito para o desporto nacional; um feito que se espera possa ir muito mais além, já que Obikwelu é o actual campeão europeu dos 100 metros e tem todas as condições para revalidar este título.

Mas, quem é aquele em quem depositamos (os Portugueses em geral) tantas esperanças?


O atleta nasceu a 22 de Novembro de 1978 na Nigéria, repito na Nigéria, e naturalizou-se Português em 2001. Volto a frisar: nasceu na Nigéria e naturalizou-se Português, da mesma maneira que se podia ter lembrado de naturalizar Russo ou Etíope. Ou seja, não é um verdadeiro produto nacional.

Se calhar decidiu-se por Portugal por gostar do Sporting, clube que representa. Tivemos sorte, já que não simpatizou com outros clubes de outros países, porventura bem mais apetecíveis.

Mas a vida profissional do fenómeno do atletismo nacional tem mais que se lhe diga; a treinadora do Francisco (não nos esqueçamos que o rapaz naturalizou-se Português) chama-se Maria José Martínez e é espanholita de gema. Será que o Francisco, ou o Sporting, não encontraram nenhum treinador nacional à altura do desafio?

Não sei se a situação ainda se mantém e se os treinos se continuam a realizar fora de Portugal, mas, indo um pouco mais longe no meu ponto de vista, também não entendo porque razão o Francisco teve que ir viver para Espanha para se preparar para os Jogos Olímpicos de 2004, onde teve uma actuação brilhante em defesa das cores nacionais. Será que o nosso belo país, ou o clube que representa, não tem condições para que o atleta possa treinar convenientemente?

Apesar de toda esta prosa, ó Francisco, os meus sinceros votos de boa sorte para a prova que se avizinha.

Quatro meses

Faz hoje quatro meses que a nossa filha nasceu e dou comigo a fazer uma retrospectiva do que têm sido estes últimos tempos.

Em primeiro lugar, o tempo. Nunca na vida tinha desejado que o dia tivesse mais umas horas extra, mas a verdade é que 1.440 minutos sabem a pouco.
A criança cresce a um ritmo alucinante e todos os momentos deviam ser mais longos, de modo a poder desfrutar mais dum crescimento que, tantas vezes, parece ser excessivamente rápido.

Além disso, mais umas horas de sono não faziam mal nenhum.

Em segundo lugar, as novidades. Todos os dias a bebé nos oferece algo diferente. Uma reacção, um olhar, uma expressão, uma mijadela inesperada, enquanto mudamos a fralda, ou um cheiro diferente, provocado por uma série interminável de gases que persistem em sair do seu sedoso rabinho.

Depois vêm as mudanças no dia-a-dia do casal. Tudo se altera, e passamos a viver, em grande parte, dependentes da pequena criatura que requer toda a nossa atenção. Horários é coisa que deixa de existir, pelo menos nos primeiros tempos. As mudanças de fraldas, as refeições da bebé, os arrotos e as indispensáveis birras, antes de adormecer, passaram a moldar o nosso tempo.

Mas esta retrospectiva pode resumir-se em duas palavras: alegria e felicidade.

Alegria, porque, apesar dos problemas do quotidiano, encaro a vida de uma maneira diferente, só de pensar que sou presenteado, a todo o momento, com dois enormes sorrisos: o da mãe e o da filha.

Felicidade, porque é disso que se trata quando sinto que somos uma família unida e cheia de cumplicidade, dispostos a dar e receber tudo o que a vida tem de bom para nos oferecer.

Nota:
Para os interessados neste tema, e a título de curiosidade, fica a notícia de que, precisamente hoje, fomos com a cria ao pediatra. Está tudo muito bem, com um desenvolvimento normal (em alguns aspectos, acima do normal) para a idade. A próxima “guerra”: alterar os hábitos alimentares da cria e começar com as papas e sopas.

sábado, 5 de agosto de 2006

Perguntas sobre economia

A RTP andou a fazer perguntas de rua sobre a economia do cidadão comum e as respostas só vieram confirmar a triste realidade que se vive em Portugal.

A grande maioria das pessoas não pensa, sequer, no “pé-de-meia”, quanto mais em construir fortuna (que era a pergunta).
Para o comum cidadão basta ter dinheiro para chegar ao fim do mês.

Os sonhos da nossa filha

A filha adormeceu na nossa cama, depois dum biberão bem servido.

Dei comigo a olhar para a inocente criatura que, com um ar doce, começou a sorrir, assim que entrou num sono profundo. De repente, um grito abafado, que se prolongou durante 2 ou 3 segundos. Chegou, aliás, a abrir os olhos, como quem vai desatar a berrar sem razão aparente, para, subitamente, voltar ao tal sono profundo.

Apesar de já estarmos mais do que habituados, são estes os momentos e expressões que nos levam (aos pais) a rir que nem loucos, ao mesmo tempo que colocamos, sempre, a pergunta: que pensamentos passam por essa cabecinha e com que sonhas tu, filha?

Nota:
Há outros momentos que nos dão vontade de rir, como, por exemplo, a querida filha se peida com a mesma inocência que sonha. Neste caso, a pergunta assume contornos de indignação: havia necessidade dum cheiro desses, filha?

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

A Cuba da família Castro

Como é do conhecimento geral, o líder cubano Fidel Castro anunciou, pela primeira vez em 48 anos de liderança do regime, que delega, se bem que provisoriamente, todos os seus poderes no irmão Raul Castro, já que tem que ser operado aos intestinos e vai ficar de baixa durante algumas semanas.

Provisoriamente, claro está, porque, a poucos dias de fazer 80 anos e visivelmente debilitado nas últimas aparições públicas que fez, a barbuda figura ainda está a pensar voltar, cheio de virilidade.

De acordo com algumas agências de notícias, a novidade apanhou de surpresa muitos cubanos, que ficaram às aranhas (uns contentes, outros desgostosos) e receosos com o futuro incerto que lhes avizinha.

Prova desta incerteza, acentuada pela circunstância da saúde do homem ter passado a segredo de estado, é o facto de muitos cubanos terem já começado a armazenar mantimentos, com medo duma crise ou dum golpe militar.

Não tenham medo, porque estas possíveis mudanças levam tempo.
Aliás, nada de regozijos prematuros. Para aqueles que pensavam aproveitar a mais antiga festa cubana para celebrar a prisão de ventre do Fidel, o famoso Carnaval de Havana, a desilusão foi total, já que as autoridades decidiram, sem dar qualquer tipo de explicação, cancelar os 8 dias de festividades.

Vamos às compras

Um olhar atento ao parque automóvel nacional revela que, cada vez mais, vemos matrículas recentes (números-letras-números) em viaturas mais antigas.

Por causa dos impostos aplicados no nosso país, o português aventura-se, com mais frequência, na procura de carros, novos ou usados, noutros países da União Europeia.

Como vivo neste maravilhoso país, à beira mar plantado, onde, em comparação com outros, ganhamos substancialmente menos e pagamos substancialmente mais, estou, também eu, a ponderar ir ao estrangeiro adquirir uma viatura.

Três notas:

Primeiro, de acordo um relatório da Comissão Europeia, Portugal foi o país da União Europeia onde se registaram os maiores aumentos nos preços dos automóveis (3,6% num ano).

Segundo, como não sou rico, lá vou ter que recorrer a um crédito bancário para levar, em notas, o dinheiro necessário para a compra da carripana. Ou seja, vou reler, e ter em conta, o que escrevi no post intitulado “Já falaste com o teu banco?”.
Por último, o caso dos carros serve, apenas, como exemplo. A verdade é que o terceiro parágrafo deste post aplica-se a muito mais. Veja-se a quantidade de gente que vai a Espanha comprar mobília ou a quantidade de “sortudos” que, por viverem junto à fronteira, aproveitam para comprar comida e roupa ou atestar os depósitos de combustível.

Já falaste com o teu banco?

Regra geral, o Português recorre ao crédito bancário para adquirir determinados bens, essenciais ou não, que fazem parte do nosso quotidiano.

Agora vem à baila a notícia de que os bancos ganham milhões de euros com os arredondamentos das taxas de juro que são aplicadas aos empréstimos concedidos ao comum cidadão.

Esta notícia dá, ainda, conta de que estes arredondamentos, aplicados sempre por excesso, geram, pelo menos, um ganho anual de cerca de 70 milhões de euros, se as contas forem feitas pelo acerto mínimo de um oitavo de ponto percentual.

Parece que há, por aí, uma associação que já enviou uma queixa, devidamente fundamentada, ao Banco de Portugal, na expectativa de ver reposta uma situação que, dizem, é ilegal.

Ou seja, pretendem que, à semelhança do que já acontece na vizinha Espanha, os bancos sejam obrigados a devolver ao pessoal os juros cobrados em excesso cada vez que pagamos, por exemplo, a prestação da humilde casinha.

Estou plenamente de acordo e muito expectante, de tal maneira que vou já falar com o meu banco.

E o caro leitor atencioso deste blog… Já falou com o seu?

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Midland

Mesmo andando pelos últimos lugares, é sempre bom ter um piloto Português no circo da Fórmula 1 e, a meu ver, o Tiago Monteiro até tem feito um excelente trabalho, tendo em conta o material de que dispõe.

Mas, ultimamente as coisas não têm corrido bem e, depois de uma desistência, o piloto levou com uma desclassificação.

Aliás,
os dois carros da equipa Midland foram desclassificados, devido a irregularidades encontradas nas asas traseiras, que oscilavam por todos os lados, levando os comissários a pensar que eram flexíveis.
De qualquer maneira, é obra! Acabaram a corrida nos dois últimos lugares e ainda conseguiram ser desclassificados.

Há dias e dias

Todos os dias do ano são dias especiais, quanto mais não seja porque há sempre alguma alma que celebra o seu próprio dia.

Mas um olhar mais atento revela que, nos tempos que correm, há dias específicos para que possamos celebrar determinados factos, interesses ou objectos; uns mais importantes, outros totalmente irreais, estúpidos e absurdos.

Naturalmente, é importante que haja um dia mundialmente consagrado à Paz (1 de Janeiro), ao Doente (11 de Fevereiro), à Saúde (7 de Abril) ou à Família (15 de Maio).

Também são importantes os dias consagrados à Mulher (8 de Março), à Criança (1 de Junho) e ao Idoso (1 de Outubro).

Mas há coisas que não batem certo. Não encontrei, por exemplo, nenhum dia consagrado ao homem (leia-se macho).

Existe o Dia do Livro Infantil, mas não há nenhum dia do livro adulto; existe o Dia Internacional do Trabalhador (01 de Maio), mas não aparece em lado nenhum o dia do desempregado.

Há dias dedicados aos Não Fumadores (17 de Novembro), aos Enfermeiros (12 de Maio), aos Professores (5 de Outubro), ao Sol (3 de Maio), aos Canhotos (14 de Agosto), ao Relógio de Sol (21 de Junho) e à Aviação Civil (7 de Dezembro), só para citar mais alguns exemplos.
Então, os fumadores, os médicos, os alunos, a lua, os destros, o relógio de pulso e a aviação militar? Será que não são merecedores dum dia especial?

Por último, passemos aos cúmulos. O que é que a Bengala Branca fez para merecer um dia mundial?

Ou melhor... Nos Estados Unidos, o dia 8 de Maio é dedicado à não utilização de peúgas e à ingestão de uma Coca-Cola (No Socks Day e Have a Coke Day); o dia 28 de Maio é o Dia Nacional do Hambúrguer (National Hamburger Day).
Deixei para último o mais “importante” de todos. O National Dance Like a Chicken Day é celebrado a 14 de Maio, o dia em que todos os americanos dançam como galinhas (?).